Master of None – uma série sobre você

Acabei de assistir à Master of None e estou muito impactada. Tão impactada que senti a necessidade de vir aqui compartilhar essa experiência maravilhosa e pedir para que coloque essa série na sua listinha de “séries que quero muito assistir”, e coloque, também, um asterisco indicando preferência! E vou aqui dar alguns motivos para isso.

A série é, basicamente, sobre a vida de Dev Shah (Aziz Ansari), um nova yorkino descendente de indianos, aspirante a ator e lidando com as crises da vida adulta. O segredo é que ela não é “só mais uma série de comédia sobre ser adulto”, ela é muito mais que isso. Ela é de comédia, é tão engraçada ao ponto de eu pausar alguns episódios para gargalhar. Só que ela também dá uns bons tapas na sua cara, problematiza alguns assuntos, tem drama o suficiente para apertar o coração, e é muito irônica e atual.

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Cada episódio tem um tema central, que contribuem para o arco geral da temporada, mas funcionam muito bem sozinhos. Alguns dos assuntos abordados são família, envelhecimento, preconceito, racismo, feminismo, assédio sexual, relacionamentos amorosos, carreira profissional, diversidade, representatividade, entre outros. Para você que vive essa primeira fase da vida adulta, vai acreditar que a série foi escrita para você, e foi mesmo né, você é o público alvo haha. (Se você é apaixonado por Guerra dos Cupcakes, como eu, ou adora sair para comer, acrescente mais pontos a série).

Quem já teve algum contato com Aziz Ansari talvez já saiba mais ou menos alguns tópicos abordados, mas como eu não o conhecia até então, foi tudo uma grande surpresa. Isso por que o Aziz, além de ser nosso amado protagonista, também é o criador, produtor, às vezes roteirista e às vezes diretor da série – aquela pessoa que realmente acreditou no projeto né, ainda bem haha. Claro que ele não fez tudo sozinho! Alan Yang é cocriador da série e também roteiriza e dirige alguns eps. Aziz já fez Parks and Recreation e deu algumas palestras para o TED Talks, que eu estou muito ansiosa para assistir.

O roteiro da série é muito inteligente e sagaz (essa palavra me faz acrescentar uns 6 anos a mais a minha idade haha). Os diálogos são incríveis, você se imagina ali, conversando com Dev e seus amigos, sendo mais um na mesa do restaurante. As piadas são sutis, as referências são muito bem colocadas e o modo como usamos tecnologia hoje é introduzido de uma maneira incrivelmente natural – nada forçado e inverossímil como vemos às vezes. Inclusive, tem um episódio sobre o Tinder que é GENIAL!! Dev é gente como a gente, mesmo!

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Acho justo citar aqui também os amigos MARAVILHOSOS de Dev! Eles são, sem dúvidas, um grande triunfo da série e, se tem uma crítica a ser feita, é que eu queria que eles aparecessem mais (especialmente na segunda temporada). Eles ajudam a contar a história, principalmente do ponto de vista das minorias, visto que temos uma negra lésbica, um asiático e um gordo. A profundidade dos personagens é absurda, são todos tridimensionais, sempre questionando e incentivando reflexões ao Dev e, consequentemente, ao espectador. Que amizades, sério.

A última coisa que eu tenho para falar do enredo é que talvez você sinta dificuldade em se apegar no começo. Apesar de eu já ter amado muito os dois primeiros episódios, eu demorei um pouco a me importar de fato com os personagens e o arco geral em si. Eu achava todos eles engraçadinhos, mas ainda era uma coisa distante. O amor foi crescendo com o passar os episódios, com o aumento da identificação e o aprofundamento dos sentimentos de cada um. Não existe um Cliffhager de um episódio para o outro. A coisa toda foi sendo construída aos poucos, me conquistando devagar haha. Terminei a série apegadíssima ao Dev e ao seu jeito divertido, fofo e confuso e aos amigos dele.

Os Seasons Finales são um soco no estomago, já adianto. É aquela série que dá um leve desespero de ter acabado daquele jeito. A série tem 2 temporadas, cada uma com 10 episódios de duração média de 30 minutos, ou seja, dá para assistir rapidinho e é bem tranquilo. A história fica ótima, nada fica arrastado e cansativo.

Por fim, você que está lendo até aqui e já está bem afim de assistir esse primor de conteúdo original Netflix (não tinha comentado isso ainda, né?) temos destaques da produção também. Primeiro, a trilha sonora. QUE TRILHA SONORA, GENTE! Impecável, um dos pontos mais altos e que ditam toda atmosfera da série e criam uma identidade absurda. Ela é leve, divertida e fornece um ritmo maravilhoso que faz você ficar animado, dançandinho no sofá e ajuda aquecer o coração. Sério, palmas para essa trilha sonora que é uma das melhores que já vi em séries (e tem playlist no spotfy).

Além disso, a direção de fotografia e arte da série é uma atração à parte. Eu não sou a pessoa mais habilitada para entrar em detalhes nessa questão, mas a série é visualmente linda. É incrível como cada detalhe nela ajuda a contar a história, complementa o roteiro e cria o clima apropriado para o momento com uma iluminação linda, paisagens maravilhosas, closes que tiram o melhor dos atores. Tudo isso combinado à trilha cria uma personalidade única para série (até a abertura e o título dos episódios eu achei um must). É realmente um trabalho excelente – daqueles que você termina o episódio com um sorrisinho de satisfação e amor.

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A série ainda não tem uma previsão de nova temporada, e não é por causa dos cancelamentos da Netflix (aparentemente). Aziz e Alan estão incertos sobre possuírem conteúdos relevantes o suficiente para uma nova temporada, visto que quase tudo foi baseado em experiências pessoais dos dois criadores. O gap entre a primeira e a segunda temporada é de quase um ano e meio. Então, podemos afirmar que eles se dedicam muito em trazer um conteúdo incrível e vão fazer o mesmo para a terceira temporada, que talvez demore um pouco, mas que vem sim, eu acredito! (E não é por isso que você vai deixar de assistir, pelo amor de Deus).

Eu havia visto algumas pessoas comentarem muito bem da série, inclusive colocarem ela como uma das séries favoritas de todos os tempos, mas eram poucas pessoas. Me tornei parte desse grupo haha. Posso dizer que Master of None mudou minha forma de pensar a cerca de vários assuntos, e, outros, ratificou o que eu já pensava. Ela é aquela série que tem uma influência na sua vida além do entretenimento, que te faz refletir e olhar um pouco ao redor. Espero que vocês assistam e saiam tão impactados como eu sai.

 

PS: Queria fazer um agradecimento especial a Renata, que me acompanhou nessa aventura e me incentivou a passar essa série na frente da lista – decisão muitíssimo acertada.

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